terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DROGAS




Todos nós ouvimos, há muito tempo, histórias de artistas, cantores de rock e outras pessoas famosas que se drogam chegando a pontos críticos de internações hospitalares e, até mesmo, a morte por ingestão ou uso abusivo. Mas, infelizmente, estes casos não se restringem somente a estas pessoas, nem às periferias das grandes cidades brasileiras. A droga avança entre os jovens independentes da classe social, não poupando até famílias mais respeitáveis. É pura ilusão pensar que os filhos não terão contato com ela mais cedo ou mais tarde.
Pesquisas recentes, em várias capitais brasileiras, mostram que aproximadamente 30% dos alunos de 1º e 2º graus já experimentaram drogas. Deste total, 50% fazem isto antes dos 14 anos, o que é um dado alarmante. Ao contrário do que se imagina a primeira vez nem sempre acontece na rua, sob a influencia de traficantes. Outra pesquisa mostra que 52% experimentaram em casa, 20% na rua, 15% em casa de amigos e 8% nas escolas.
Embora os pais se apavorem muito com o uso de maconha e cocaína, essas não são nem de longe as drogas de maior transito entre os adolescentes. Depois do álcool e do cigarro, as mais utilizadas por eles são os inalantes, crack, cola de sapateiro, solvente do tipo Tynner, cheirinho da loló, uma mistura caseira de álcool, éter e clorofórmio, lança-perfume. Uma pesquisa realizada com 30 mil jovens entre 10 e 18 anos, revelou que 17% tinham experimentado algum inalante e 2% já utilizavam com certa frequência. Em 2º lugar estão os ansiolíticos, usado por 7% dos entrevistados, seguindo-se os estimulantes ou remédios para emagrecer ( anfetaminas ), com um índice de 4%. A maconha está em 4º lugar, com 3,5% onde uma pequena porcentagem ( 0,5% ) chegou a usá-la mais de seis vezes. A cocaína está em 8º lugar com 0,7¢.
Notamos que a porta de entrada para o universo das drogas não costuma ser a maconha. Tradicionalmente as pessoas começam usando álcool ou fumo em seguida inalantes, depois a maconha e, por fim, cocaína. Não queremos dizer com isto que todo adolescente que bebe ou fuma demais vai utilizar outras drogas no futuro ou ficar dependente, mas devemos alertar aos pais. O perigo pode estar em casa, nas chamadas drogas lícitas: Álcool, cigarro e medicamentos tomados de forma abusiva.
AS DROGAS AFETAM AS FUNÇÕES DO ORGANISMO, POIS ALTERAM AS FUNÇÕES CEREBRAIS. O tamanho do estrago vai depender da quantidade empregada e da frequência. Em altas doses A MAIORIA PODE SER FATAL. A cola de sapateiro, por exemplo, ocasiona distúrbios graves nos rins, fígado e neurônios e, às vezes, PROVOCA MORTE SÚBITA POR PARADA RESPIRATÓRIA. Isto é mais comum nos rapazes pois, usam mais álcool, solventes e maconha. As garotas procuram ansiolíticos e remédios para emagrecer, tóxicos de maior aceitação social, reproduzindo muitas vezes o comportamento das mães.
Após os 20 anos, o quadro de consumo se altera, sendo a droga usual a cocaína ( 28% ), seguida da maconha ( 22% ), das anfetaminas ( 6% ) e dos barbitúricos ( 4% ).
Quando se instala a dependência, a ameaça cresce, onde muitos começam a praticar furtos em casa ou fora dela, ou participam do tráfico para obterem a droga.
Além de tudo isto, o uso da droga injetável, acarreta grande risco de contaminação pela AIDS, pois vários usuários partilham a mesma seringa. Estimativas mostram que aproximadamente 80% deles estão contaminados pelo vírus.
Nem todas as pessoas que experimentam drogas vão ao fundo do poço. A maioria dos adolescentes que faz uso de drogas correspondem aos chamados usuários recreativos, que recorrem aos tóxicos apenas em festas ou viagens. O que indica a dependência é o grau de comportamento do indivíduo, ou o fato dele viver em função da droga.

O GRANDE PROBLEMA DAS DROGAS




"O GRANDE PROBLEMA DAS DROGAS NÃO SÃO AS DROGAS EM SI, MAS O QUE LEVA PESSOAS A PROCURÁ-LAS".
A atração pela aventura que as drogas representam por permitir a integração ao grupo ou por simples curiosidade, leva o adolescente a experimentá-la. Nesta fase, funciona como válvula de escape, liberando as tensões dos conflitos aí existentes.
Se a família está desestruturada, é mais fácil ao adolescente continuar usando drogas, que conferem uma sensação de tranquilidade àquilo que era triste ou complicado. Devido a este prazer ser restrito, com o tempo, há necessidade de elevar as doses para obter os mesmos resultados, chegando ao ponto de não conseguir viver sem elas.
O grupo de maior risco são as crianças carentes e vítimas de maus tratos, levando em conta as características de cada uma, o momento e o meio.
A criança e o adolescente refletem muito a problemática dos pais e, devido a isto, não raro, encontramos o pai que bebe muito, a mãe que usa calmantes e o filho fuma maconha. Notamos aí a mesma tentativa de "fuga da realidade".
Especialistas de narcóticos revelam que quase todas as famílias que os procuram são desagregadas, repressoras ou altamente liberais. Acham que a única solução para acabar com o vício do filho é prender o traficante. Esquecem que antes de procurarem culpados ou inocentes, deveriam questionar a estrutura familiar.
Normalmente a família tende a se colocar na posição de vítima, a acusar as más companhias, sendo o folho a ovelha negra, o centro do problema. Psicólogos mostram que é justamente esse filho que sustenta a estrutura familiar de uma forma capenga e sofredora. Se ele mudar de atitude e criar responsabilidade, vai desestruturar totalmente a família. Às vezes, inconscientemente, chegam a desejar que o filho continue como está para justificar seus fracassos. Por isso, aconselha-se estender o tratamento à família.
Especialistas no assunto recomendam o tratamento ambulatorial, incluindo abordagem física e psicológica. Internação em clínicas de longa permanência é vista como último recurso. Também é válida a participação em grupos de apoio, pois permitem a convivência com pessoas que viveram e superaram o problema.
Não há razão para o panico, quando se descobre que um filho experimentou drogas. Especialistas renomados dizem que a melhor providencia é uma conversa clara sobre os perigos da droga. Não resolvendo, deve-se partir pra medidas mais drásticas, tais como proibir certas companhias e a frequência a locais onde terá acesso ao tóxico. Persistindo o problema, o melhor é consultar um especialista, tendo em mente que a recaída é sempre uma possibilidade. Queremos dizer que a situação requer paciência e força de vontade.
A título de prevenção, além de orientarem os filhos, os pais devem ficar atentos a qualquer mudança no comportamento deles. Julgando o mais importante estabelecer, com a maior urgência, um clima de serenidade e comunicação aberta, para que o jovem possa se abrir e os assuntos como drogas sejam abordados sem mentiras ou preconceitos.

A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E AS DROGAS:

O governo do Brasil considera a repressão ao tráfico de drogas uma questão de segurança nacional, e tem mantido acordos internacionais, além de tomar medidas de caráter interno, a fim de reprimir o contrabando de drogas através de suas fronteiras, dos aeroportos, das estações rodoviárias e dos portos.
A legislação brasileira sobre tóxicos tem sido reconhecida por outros países como uma das mais perfeitas; introduzindo algumas inovações pioneiras que tem despertado interesse nas reuniões internacionais. Entre elas, estão o tratamento diferenciado ao traficante e ao dependente, a apreensão de veículos usados no transporte de drogas, a expulsão de estrangeiros envolvidos com o tráfico de drogas, a inclusão do assunto no currículo das escolas de 1º grau e nos cursos de formação de professores e a previsão do Sistema Nacional de Previsão, Fiscalização e Repressão de Entorpecentes, que hoje estabelece as diretrizes básicas da política anti-tóxico do país. O CONSELHO FEDERAL DE ENTORPECENTES É O ÓRGÃO RESPONSÁVEL POR ESTA POLÍTICA.
A lei brasileira separa e trata distintamente quatro categorias de pessoas que se envolvem com drogas: O traficante, o dependente, o traficante dependente e o experimentador ou usuário eventual.

CATEGORIAS

OS TRAFICANTES:

São considerados criminosos não só pelo tráfico das drogas mas também pela ação perniciosa que exercem junto às pessoas inexperientes na tentativa de torná-las usuárias de drogas. Além de alimentarem o vício, eles se encarregam de disseminá-lo.
Tendo em vista o perigo que os traficantes representam para a sociedade, a nossa lei os pune com pena de 3 a 15 anos.

O DEPENDENTE:

É, na verdade, um indivíduo doente, incapaz de dominar o forte impulso que sente para tomar a droga. No caso de o dependente cometer algum crime levado pela droga que tenha ingerido, a lei não o pune, porque reconhece que ele não era dono de sua vontade na ocasião. Após laudo médico constatando a dependência do réu e a ausência de discernimento ou autodeterminação no momento do fato, o juiz, em vez de aplicar a pena, determina que ele seja encaminhado para tratamento.

O TRAFICANTE DEPENDENTE:

É tão perigoso como o que faz tráfico de drogas sem ser dependente. Entre eles encontra-se dependentes que se tornam traficantes, a fim de terem maior facilidade de conseguir a droga. Nesses casos, a nossa legislação prevê uma punição igual à dos traficantes ( 3 a 15 anos ) e, também, o tratamento médico dentro da própria prisão, porque no momento do crime, ao contrário do indivíduo que é simplesmente dependente, ele tem entendimento do caráter ilícito do seu ato e pode se autodeterminar.

O EXPERIMENTADOR OU USUÁRIO EVENTUAL:

Também é punido, por saber perfeitamente que a lei proíbe e a polícia prende quem estiver usando ou trazendo consigo uma droga. Evidentemente, a pena é menor. Pode variar de 6 meses a 2 anos de prisão. No caso de indivíduo que nunca tenha respondido a processo criminal, ele poderá pagar fiança e responder em liberdade. Se, após o julgamento, for considerado culpado, sendo primário, receberá o sursis. Esta é uma palavra francesa que significa "suspensão condicional da pena". Sendo assim, o réu nessas condições é condenado, mas não vai para a prisão. O juiz fixa um prazo para que ele tenha um bom comportamento, findo o qual estará livre. Se durante esse período de prova o réu cometer algum outro crime, o sursis fica sem efeito e ele passa a cumprir a pena a que foi condenado.
Isso ocorre com as pessoas que tenham mais de 18 anos. Os que tem menos são encaminhados ao Juizado de Menores. Lá, o juiz, conforme a gravidade do caso, pode decidir entre mandar os pais assinarem um termo de responsabilidade pelo menor, interná-lo em casa especiais de recuperação de menores delinquentes ou, em certos casos, enviá-lo para prisão própria nas penitenciárias do país.

ENFIM, UMA RESPONSABILIDADE DE TODOS:




O 1º artigo da lei de Tóxicos ( Lei nº 6.368 ), diz expressamente que "É DEVER DE TODA PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA COLABORAR NA PREVENÇÃO E REPRESSÃO AO TRÁFICO ILÍCITO E USO INDEVIDO DE SUBSTANCIA ENTORPECENTE OU QUE DETERMINE DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA".
Isto significa que todos nós, que somos pessoas físicas, assim como as empresas, ou clubes e os colégios, que são pessoas jurídicas, devemos empregar o máximo de nossos esforços para evitar que as drogas sejam vendidas e usadas indevidamente.
Até a pouco tempo, a responsabilidade de combater o uso de drogas era de apenas alguns, sendo o conhecimento acerca dos seus efeitos nocivos restrito aos médicos e estudiosos. Porém, o problema das drogas é de todos nós. Devemos nos preocupar em conhece-lo, saber as consequências do uso de tóxicos, sem necessariamente receber orientações moralistas. Antes de tudo é preciso informar, orientar, instruir e educar.

" A maconha é, sem dúvida, a droga mais popular entre os jovens e adolescentes no Brasil e provavelmente a mais perigosa, pois atinge uma faixa etária que se encontra em pleno desenvolvimento físico, psicológico e principalmente mora. Ademais ela determina invariavelmente que seus usuários procurem outras drogas mais fortes, buscando, com isso, novas experiencias que já não estejam obtendo com esse alucinógeno. Daí para a sua destruição é somente um passo.

TODOS NÓS

TODOS NÓS, QUE POSSUÍMOS UMA PARCELA DE RESPONSABILIDADE NO GRUPAMENTO SOCIETÁRIO, TEMOS O DEVER MORAL E CÍVICO DE CONTRIBUIR, DE ALGUMA FORMA, PARA QUE A NOSSA JUVENTUDE TENHA UM FUTURO MAIS JUSTO E DIGNO.
Seria impossível determinar, atualmente, quantos indivíduos fazem o uso das drogas. MAS TEMOS CERTEZA DE QUE MILHÕES DE JOVENS E ADULTOS, em todo o mundo, deixaram-se induzir à sedução dos tóxicos. Somente nos Estados Unidos, entre 7 e 9 milhões de pessoas usam cocaína. Por este motivo, não estaremos fugindo à realidade se dissermos que vivemos hoje sob a égide das drogas. É verdade que, entre nós, só possuímos estimativas, diante das carências de dados concretos, mas podemos observar que os grandes centros são os mais atingidos pelo uso e tráfico de drogas. No Brasil, sabemos que o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são, no momento, as cidades de maior incidência, o que pode ser comprovado pelo grande número de prisões e pela quantidade de tóxicos apreendidos.
Por outro lado, a situação mundial em relação ao problema das drogas tende a agravar-se, na medida em que a ação do tráfico se dissemina, de maneira global.
Por isso, consideramos que despertam grande expectativas quanto às providencias a serem tomadas pelas autoridades constituídas, que tem a responsabilidade não só quanto às medidas concernentes ao controle do comércio ilícito, mas também em relação à recuperação dos dependentes e, principalmente, à prevenção do uso de drogas. Sabemos que elas destroem o caráter, comprometem o sentido realístico da vida e subvertem o senso de responsabilidade, fragilizando a família, os laços comunitários e a própria força do trabalho nacional. Daí a necessidade de uma efetiva prevenção, que a própria legislação brasileira enfatiza dever-se operar através da educação, pois em última análise, o uso de drogas é uma agressão à saúde pública, no presente, e um crime contra o futuro dos nossos jovens.
Não é de agora o problema que tem preocupado médicos, psicólogos, políticos, prelados e juristas. O uso e o comércio dos tóxicos estão enraizados desde a antiguidade nos costumes e hábitos dos povos. Entretanto, estiveram sempre localizados, jamais se generalizaram de modo a constituir ameaça à humanidade ou, como hoje, espécie de calamidade pública.

O QUE É A DROGA?




A Organização Mundial de Saúde ( OMS ) define droga como: "Toda a substancia química, natural ou sintética. As primeiras são obtidas de certas plantas, de animais e de alguns minerais. As últimas são fabricadas em laboratórios, que INTRODUZIDA NUM ORGANISMO VIVO, PODE MODIFICAR UMA OU MAIS DE SUAS FUNÇÕES."
As drogas estão divididas em três grupos ou categorias denominadas de psicolépticas, ( que reduzem a atividade menta), psico analépticas ( que elevam a atividade mental ) e psicodislépticas ( que atingem a mente produzindo distorções e desvios de percepção de tempo e espaço).

DEPENDÊNCIA FÍSICA:

Segundo a OMS, é o "estado de adaptação que se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas, quando se interrompe a administração da droga. Essas alterações, isto é, SÍNDROMES DE ABSTINÊNCIA, manifestam-se por sintomas e sinais de natureza psíquica e física, que podem variar de acordo com a droga".
Isso quer dizer que, devido ao fato de o organismo se ajustar à droga, quando o indivíduo deixa de usá-la, ocorre, violentamente, uma reação do organismo, com surgimento de "sinais de privação podendo acarretar, até mesmo a morte".

DEPENDÊNCIA PSÍQUICA:

A OMS define dependência psíquica como um estado no qual uma droga determina "uma sensação de satisfação e um impulso psíquico que levam o indivíduo a usar, periódica ou continuamente, a droga para conseguir a evitar o mal-estar".

DETERMINANTES

DETERMINANTES AO ABUSO DE DROGAS:

Existem vários motivos que impulsionam e determinam que o indivíduo faça o uso de drogas e, infelizmente estes determinantes são grandemente ignorados pela maioria das pessoas, inclusive os familiares do usuário e, comummente, não há interesse de um merecido estudo por parte das autoridades. Por esse motivo descreverei alguns:

DETERMINANTES BIOLÓGICOS:

Como já foi descrito a maioria das drogas, além de atuar no organismo, atua também nos genes cromossômicos. É por este motivo que, por meio de hereditariedade, crianças geradas de pais toxicômanos podem nascer com características próprias dos pais (ambos os sexos, não só as mães) e, inclusive, com defeitos traumáticos devido ao uso abusivo de drogas durante e após a gestação.

DETERMINANTES PSICOLÓGICOS:

São determinantes que, ante o convívio do jovem ou adolescente no âmbito escolar, familiar ou social levam uma procura ao mundo dos tóxicos como forma de "fugir" ao vazio e às frustrações que o convívio em sociedade lhe proporciona.
ao se deparar com a desestruturação familiar tão comum em nossos dias_ ou mesmo diante de maus exemplos dos pais que, mesmo exigindo determinado comportamento de seus filhos, não são bons paradigmas_o jovem frustra-se e recorre à droga como um "escape" ou, simplesmente, passa a usá-la com o objetivo de participar de grupos cujos problemas sejam semelhantes aos seus.
Muitos jovens usuários relatam que buscam a droga como forma de auto-afirmação.

DETERMINANTES SOCIOLÓGICOS:

Neste caso podemos destacar que os jovens encontram várias dificuldades para melhor se integrarem à sociedade devido a fatores como: Deficiência de comunicabilidade, diferença de níveis sociais e falta de inter-relacionamento. Para isso, é óbvio que contribuem fatores de ordem político-econômica e psicossocial.

AOS PAIS:

( COMO POSSO RECONHECER SE O MEU FILHO ESTÁ USANDO DROGAS? )

Esta é uma das perguntas mais difíceis de responder, pois não é fácil separar o comportamento do adolescente típico, daquele que é produzido pelas drogas. Porém, a título de exemplificação, podemos citar o decálogo de alerta do eminente psiquiatra DR. OSWALDO MORAES ANDRADE, com observações que são fruto da sua experiencia de muitos anos no tratamento das toxicomanias e estão a fornecer sem alarde, o esclarecimento às famílias. É importante relatar que, necessariamente, a ocorrência de qualquer dessas alterações não quer dizer que o jovem seja um dependente pois, algumas delas, poderão ser resultantes de algum distúrbio físico ou psicológico.

DECÁLOGO DE ALERTA:

1- Mudança brusca na conduta do adolescente.

2- Insonia rebelde.

3- Irritabilidade.

4- Inquietação motora, que faz com que o jovem não tenha paciência para acompanhar seus familiares nas horas das refeições.

5- Depressão - estado de angústia sem causa aparente.

6- Queda no aproveitamento escolar ou desistência brusca de estudar.

7- Isolamento.

8- Mudanças de hábitos e encontro de comprimidos, seringas ou cigarros estranhos entre os pertences do jovem.

9- Desaparecimento de objetos de valor da residencia e mesmo de dinheiro ou, ainda, um incessante pedido de dinheiro.

10- Más companhias.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ESPIRITUALIDADE

ESPIRITUALIDADE

Meus queridos, esse assunto é muito importante na questão dos desvalidos, não há como desenvolver um trabalho de RESGATE DO SER, sem termos consciência plena do que nos aguarda, nem sermos ingênuos, românticos ou idealistas acreditando que são assuntos separados; NÃO SÃO.
Para desenvolvermos bem este trabalho, necessário se faz ter a plena convicção de que a espiritualidade existe e atua em tempo integral em nossas vidas e nas vidas a serem resgatadas. PRINCIPALMENTE NELAS; pois é exatamente por isso que se tem este trabalho. Estes indivíduos que estão nas sarjetas da vida, estão com toda a certeza, tomados por muitos e ferozes espíritos malignos, sujos e covardes. Uma contaminação em proporções incalculáveis, que causa um comprometimento sistemático na estrutura psíquica do indivíduo. No decorrer dos trabalhos nas calçadas isto não só fica absolutamente claro; como gritante.
Fundamental se faz; conhecer, entender e se preparar, para um confronto, sim porque é exatamente isto que acontece nos trabalhos de resgate de vidas: Um confronto espiritual.
Não quero aqui falar de religião, religiosidade, ou crenças e doutrinas, mas sim de maneira mais abrangente sobre o tema.
Para abordar este tema se faz primordial nos voltar para a bíblia. Como já foi dito; não no sentido religioso, mas como um livro, por tanto me sinto na obrigação de antes de desenvolver o tema, colocar uns itens desse lado da minha visão sobre o livro bíblia:
• A bíblia é um livro que atravessou milênios, começou como rolos de papiros e continua atual.
• A bíblia ao que se sabe, foi o primeiro livro a ser impresso.
• A bíblia é o livro mais consultado durante séculos. Ao que parece o primeiro e único: "SITE OFF- LINE".
A bíblia é o livro mais citado, pelos favoráveis e contrários a ele.
Diante desses itens aqui citados e mais tantos outros não relacionados, uma coisa fica clara:
A bíblia é de longe, O LIVRO MAIS IMCOMPARÁVELMENTE CONTUNDENTE, para se abordar citações, e:
CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS. Por isso me basearei nele.
À partir dos textos dos livros bíblicos que seguirão adiante, encontraremos basicamente tudo o que precisamos saber para dirigirmos o estudo e preparo para o trabalho de resgate das calçadas. Sim porque é exatamente disto que precisamos para este trabalho: Estudo e preparo. Não adianta apenas querermos ser "bonzinhos" e fazer caridade; é preciso saber exatamente o que, e como estamos fazendo. Não adianta apenas conhecermos a doença, precisamos conhecer o remédio.
• Efésios; 6, vers de 10 à 18;
• Colossences; 1, vers de 9 à 13 / 4, vers de 2 à 4;
• Tessalonicenses; 5, vers de 4 à 11;
Já teremos um bom começo para o estudo. Veja bem; estou falando de ESTUDO, NÃO DE LEITURA APENAS. Faz-se fundamental o aprofundamento para; a interpretação, desenvolvimento e aplicação dos textos.
• Mateus: 8, vers de 28 à 33 e, / 12, de 43 à 45,
já encontraremos aplicações destes estudos na prática.
Claro que o que foi apresentado é apenas uma introdução ao tema, que deverá ser minuciosamente estudado e aprofundado, quando na formação de um trabalho no RESGATE DE VIDAS EM CALÇADAS.

À PARTIR DAQUI SÓ ME RESTA DIZER: DEUS OS ABENÇOE.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PARA MEDITAR:



MATEUS 10: 5 - 8.
Jesus enviou este doze e lhes ordenou, dizendo: "Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de Samaritanos; mas ide antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel; e indo pregai, dizendo: É chegado o Reino dos Céus.
Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai."

MATEUS 12: 49 -50.
E estendendo a mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, este é meu irmão, e irmã , e mãe.

MATEUS 16: 27.
Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras.

MATEUS 18: 10 - 11.
Vede, não desprezeis alguns destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face do meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio salvar o que se havia perdido.

MATEUS 22: 36 - 40.
Mestre, qual é o grande mandamento da lei? E Jesus disse-lhe: " Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento". Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: " Amarás o teu próximo como a ti mesmo" . Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

MATEUS 23: 28.
Assim, vós também exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

MATEUS 25: 34 - 40.
Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: " Vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome,e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me". Então, os justos lhe responderão. dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

CARIDADE:



A CARIDADE: É PRECISO RETRIBUIR A CARIDADE RECEBIDA FAZENDO CARIDADE PARA OUTRAS PESSOAS.

Vimos a senhora na esquina da Rua Constante Ramos, em Copacabana. Ela estava numa cadeira de rodas, perdida na multidão. Na mesma hora, minha mulher se ofereceu para ajudá-la. A senhora agradeceu, aceitou e pediu que a levasse até a Rua Santa Clara. Alguns sacos plásticos pendiam da cadeira de rodas. No caminho, ela nos contou que aqueles objetos dentro dos sacos eram todos os seus pertences. Disse também que dormia sob as marquises do bairro e vivia da caridade alheia. Chegamos ao lugar indicado. Ali havia outros mendigos. A mulher da cadeira de rodas tirou de um dos sacos plásticos dois pacotes de leite e os entregou a eles. "Fazem caridade comigo, preciso fazer caridade com os outros", foi seu comentário.
Paulo Coelho.

CORRIDA:
Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seatle, nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida de 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas querendo dar o melhor de si e terminar a corrida e ganhar. Um dos garotos tropeçou, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então, se viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com síndrome de Down, se ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar". E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. Talvez os atletas fossem deficientes mentais. Mas, com certeza, não eram deficientes espirituais.
O que importa na vida. mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos.

MENDIGOS:


MENDIGOS SÃO...
Miseráveis e invisíveis, um exército de esquecidos, são homens, mulheres e crianças, que sem casa, sem emprego e sem equilíbrio emocional, passam os dias perambulando em meio às calçadas, alimentando-se debaixo dos viadutos e dormindo sob as marquises, por vezes esmolando e por outras revirando lixo junto com os cães, algumas vezes por opção: NA MAIORIA DA VEZES POR ABSOLUTA FALTA DELAS.

Conhecidos como moradores de rua, não pagam impostos, não tem representação e não rendem votos. Talvez isto explique o fato de que, quando vivos, poucos chamem a atenção de políticos.
Eles também costumam ser ignorados pela imprensa e pela sociedade. Infelizmente parece que o pensamento que impera é: " NÓS NOS SENSIBILIZAMOS COM AQUILO QUE NÃO NOS CAUSA ESFORÇO".
* Como nos sensibilizar com um mendigo nas calçadas, quando poderíamos te-lo auxiliado, mas não o fizemos.
Melhor pensar nas baleias, coitadinhas, como também são coitadinhos aqueles que passam fome na África, ou os cães e gatos abandonados que precisam de comida; NUNCA OS FAMINTOS DE NOSSAS RUAS. Num tempo em que a hipocrisia e a mídia, de mãos dadas, ditam o nosso modo de agir e pensar.
O país e extremamente carente na área social. Sendo assim a ideia, é investir no social para evitar a reprodução da pobreza e da violência, tentando trabalhar na raiz do problema.
A atitude de cada um de nós faz a diferença e pode mover montanhas.
Se uma pessoa ousa dizer: " Isto esta errado, e eu posso mudar essa situação"; outras pessoas se sentem estimuladas a seguirem o mesmo caminho. Quando nos damos conta, já criamos um movimento poderoso. Muitas vezes, não temos consciência do tamanho de nossa capacidade.
Ela geralmente é muito maior que imaginamos. Mas primeiro precisamos aprender a gostar mais de nós mesmos e acreditar que somos capazes de realizar qualquer coisa que tenhamos vontade.
Isso nos da coragem e confiança para ousar e fazer o que parece impossível.
Se pensarmos assim, mesmo em caso de fracasso vamos tentar novamente até atingir nosso objetivo.
Só pela mobilização do voluntariado, já ganhamos um grande prêmio, o combate à miséria e as injustiças sociais é essencial para a construção da paz.
A PREVENÇÃO CONTRA A MISÉRIA E A VIOLÊNCIA É FUNDAMENTAL. NENHUM PAÍS VAI SE SALVAR SE A SOLIDARIEDADE NÃO FOR GLOBALIZADA.



RESSOCIALIZAÇÃO:
É a reconstrução do indivíduo ao convívio social saudável. A SOCIEDADE.
Infelizmente o indivíduo ainda não é visto como um ser que precisa ser tratado e com possibilidades de plena recuperação. A grande maioria acredita que se trata de uma condição irreversível.
Hoje em dia uma palavra se tornou moda: RECICLAGEM.
Acreditamos que noventa por cento do nosso lixo pode ser reciclado. Existem inúmeras usinas de reciclagem de lixo especificas para cada tipo de material reciclável; empregos são gerados através da reciclagem de lixo, mobilização na mídia, incentivos de governo, palestras nas empresas e nas escolas, conscientização na cidadania, enfim; uma série de programas e soluções para a reciclagem de lixo.
O lixo. Parece pela visão atual, o lixo tem muita importância e causa muito mais interesse e esforço do que o ser humano. "LIXO PODE SER RECICLADO, ENQUANTO O SER HUMANO PODE CONTINUAR A SER IGNORADO".
Precisamos começar a pensar em porque não se RECICLAR UM INDIVÍDUO. Talvez por pura ironia, o indivíduo, morador de rua, sobrevive justamente catando lixo para ser reciclado, enquanto ele continua um "LIXO HUMANO".
Se a reciclagem de lixo, exige investimentos; então também pode existir investimento na RECICLAGEM DO SER HUMANO.
A reciclagem do lixo traz retorno; o indivíduo reciclado. apto a retornar e votar, pagar impostos, trabalhar, comprar, também podem trazer lucros.
Existem inúmeras usinas de reciclagem de lixo, enquanto que para o indivíduo, o que se tem são apenas " depósitos", chamados de albergues ou abrigos, onde o indivíduo apenas se aloja, mas não se trata, não se cura, não se recupera, não se recicla.
Muito pouco ( quase nada ) se tem de "usinas de reciclagem humana". Casas de recuperação com trabalhos de tratamentos sérios. Com profissionais nas áreas; médicas, psicológica, de assistência social, etc. Como se bastasse apenas um lugar para dormir, comer e tomar banho.
Por incrível que pareça a maioria não entende o porque dos moradores de rua, se negarem a instalarem-se nos abrigos e preferirem as calçadas.
Um lugar para dormir, comer e tomar banho é tudo o que um animal doméstico precisa, qualquer cachorro de família tem isso. O indivíduo é visto, tido e tratado como um animal doméstico e ainda tem que se sentir grato; por isso preferem as calçadas, pelo menos nelas eles não precisam " abanar o rabinho".
O INDIVÍDUO PRECISA SER VISTO COM UM "RESPEITO VERDADEIRO", COMO SER HUMANO A SER TRATADO E RECUPERADO E RETORNAR A SOCIEDADE.


O INDIVÍDUO:
O maior problema do indivíduo, e o que o leva se tornar um morador de rua, é com certeza, o GRANDE SENTIMENTO DE REJEIÇÃO.
Este sentimento é gerado por vários fatores:
Desemprego, violência doméstica, perda de família pelo crime, aquisição de doenças de risco ( HIV por exemplo ), alcoolismo, drogas, tragédias como enchentes, desmoronamentos, incêndios, êxodo rural, etc...
Enfim; por inúmeros fatores, o indivíduo passa a sentir-se um rejeitado: Pela família, pela sociedade, por DEUS.
Este sentimento, causa no indivíduo um impacto agressivo de maneira tal, que nutre uma vontade de fuga. Fuga do choque, fuga da realidade, fuga de identidade.
O indivíduo vai para as ruas numa tentativa ( por vezes inconsciente ), de "zerar" sua dura realidade, ou por vezes, por pura falta de opção.
Chegando as ruas, o indivíduo começa a receber mais e mais traumas, que vão se somando e consequentemente, piorando seus estados emocionais, causando uma espécie de debilidade mental. Talvez por isso; podemos encarar um morador de rua, como um doente, precisando de cuidados e tratamento.
De um modo geral, o morador de rua é inseguro, tímido, passa por situações de angustias e tensões, sente-se humilhado, inferior a nível social e emocional.
Todo o morador de rua, pela rejeição que sofre do meio, é carente de afeto e considera-se um injustiçado social. Deseja ser amado, porem nega afeto, principalmente com a família ( quando tem ).
Completamente equivocada é a visão romântica que infelizmente muitos tem, que o morador de rua é um "símbolo" da liberdade e anarquia, " aquele que consegue romper com todos os elos é verdadeiramente livre". Pior ainda é a visão preconceituosa, que acredita tratar-se de meros marginais ou vagabundos. Esta última visão é terrivelmente injusta, o morador de rua, mendiga, esmola por sobrevivência: já a outra categoria, a dos marginais ou vagabundos, usam a rua como meio de vida.
Com uma pequena dose de boa vontade, fica muito fácil entender a diferença entre SOBREVIVÊNCIA E MEIO DE VIDA.
Diante de um breve perfil do indivíduo, o morador de rua; mantendo uma visão mais clara e aberta, percebe-se que essa compreensão requer responsabilidade social e, esta responsabilidade social não se restringe apenas aos " órgãos competentes", mas a cada cidadão. Cabe a sociedade como um todo, proteger a todos, principalmente aos mais fracos.

NOS RESTA PERGUNTAR: " QUEM É A SOCIEDADE E, QUEM SÃO OS FRACOS?"

FAMÍLIA:
Normalmente a família tende a se colocar na posição de vítima, a acusar as mais companhias, o meio, a sociedade, sendo o indivíduo a " ovelha negra", o " centro do problema". Geralmente é justamente esse indivíduo que sustenta a postura da família de uma forma capenga e sofredora, na maioria das vezes, são famílias desagregadas, repressoras, ou ao contrário, altamente liberais.
As vezes inconscientemente, chegam a desejar que o indivíduo continue como está pra justificar seus próprios fracassos.
A família, por estar diretamente envolvida com o problema, sofre vários tipos d influencias do meio e, por não encarar o indivíduo como um doente, mas como o portador de um "defeito moral", apresenta sentimentos hostis e de rechaço, dificultando a compreensão, a busca por tratamento e recuperação do indivíduo.
Por muita vezes, passam por situações embaraçosas, devido as atitudes do indivíduo, começam a se isolar dos amigos, vizinhos e dos próprios familiares. Na medida em que a situação vai se agravando, aumenta a angústia e a ansiedade em tentar encobrir o problema.
O desconhecimento do mecanismo de enfermidade emocional, faz surgir no lar um clima de incompatibilidade, desentendimento, queixas, acusações, ofensas e mesmo agressões físicas, que vão gradativamente agravando o problema, culminado não raro, com a desagregação familiar. Por outro lado, a experiencia demonstra que pioram as possibilidades de recuperação do indivíduo, se ele for abandonado por seus familiares, ou estes por alguma razão, não colaboram de forma efetiva na recuperação.
Por isso, aconselha-se a estender o tratamento a família, com acompanhamento psicológico. Também é válida a participação em grupos de apoio, pois permitem a convivência com pessoas que conhecem, viveram e superaram o problema, para que a família seja conscientizada que o indivíduo deve ser tratado. Deve-se trabalhar a família no sentido de faze-la entender que está a frente um indivíduo doente, objetivando aliviar-lhe as culpas (sentem vergonha), pois necessita falar que ainda existe carinho, preocupação e amor e que isso necessita ser capitalizado.
Tendo a família compreendido o indivíduo como um doente e aceitado este diagnóstico em um de seus membros; ela atuará como agente no tratamento, promovendo a aceitação do indivíduo. Prepara-se então a família para o confronto. ( Reunião de grupo com o indivíduo e familiares ). è em geral uma etapa especializada, com agentes que estejam capacitados para isso.
O trabalho de terapia é motivar o indivíduo, pois sendo uma debilidade permanente, deve ter um programa de atendimento a longo prazo. Os grupos de ajuda, produzem uma eficácia indiscutível para o indivíduo, pois identificam-se a seguintes dimensões:
IDEIAS COERENTES E FLEXÍVEIS, PLANOS DE AÇÃO, RECOMPENSAS DE SOBRIEDADE E POSSIBILIDADES DE TOTAL RECUPERAÇÃO.


VOLUNTÁRIOS:
Quando o assunto é morador de rua, é muito comum encontrarmos pessoas que achem interessante o assunto, mas não se sentem capacitadas para o voluntariado, pois a primeira visão que se tem, é a imagem do indivíduo em seu aspecto atual, ou seja: MENDIGO.
Com esta primeira visão, é normal encontrarmos bloqueios no animo de um possível voluntário, pois a maioria pensa de imediato:
_ Acho uma boa ideia, mas não tenho coragem para isso.
_ Infelizmente, apesar de aprovar a ideia, não tenho estomago para encarar o estado deste indivíduo.
Ao mudarmos esta primeira visão, abrimos um leque de possibilidades. Mudando a primeira visão, na qual o que se tem é o indivíduo atual, substituindo pela visão de um indivíduo a ser restaurado.
De posse desta segunda visão, conseguimos vislumbrar tantas outras, decorrentes desta.
Ser voluntário, não significa necessariamente ESTAR COM O INDIVÍDUO. Ser voluntário, significa ESTAR DISPOSTO A TRABALHAR, colaborando na causa em prol do indivíduo.
EXISTEM DIVERSAS MANEIRAS DE SE APROVEITAR O VOLUNTARIADO no trabalho em prol do morador de rua, SEM QUE PRECISE ESTAR NAS CALÇADAS.
• Voluntários para localização de famílias.
• Voluntários para providenciar documentos.
• Voluntários para providenciar internação em centro de recuperação.
• Voluntários para visitação aos lares e aos centros de recuperação.
• Voluntários para arrecadação de donativos.
• Voluntários para contactar patrocinadores e doadores.
• Voluntátios para reabilitação profissional.
• Voluntários par instrução de ofícios.
• Voluntários cabeleireiros e barbeiros.
• Voluntários para terapias ocupacionais.
• Voluntários para monitoramento na área médica em centro de recuperação e fora dele.
• Voluntários Para monitoramento na área psicológica.
• Voluntários para cozinhar e auxiliar na cozinha.

Enfim: Ao se falar em trabalho com moradores de rua e apoio as carências, fica claro que é impossível se pensar em organização, sem que se pense em uma palavra essencial: VOLUNTARIADO.


APOIOS:
VALOR:
VALORIZAR O SER HUMANO, SEJA QUAL FOR A SITUAÇÃO SOCIAL, POLÍTICA, FINANCEIRA OU ESPIRITUAL.
VALORIZAR A RESTAURAÇÃO DO INDIVÍDUO, INTEGRANDO-O AO CONVÍVIO SOCIAL SAUDÁVEL.
ESTRATÉGIAS:
* FORMAR EQUIPES.
* REALIZAR TREINAMENTOS, PALESTRAS, PROMOVER ENCONTROS SOCIAIS, VISANDO AMPLIAR E MANTER COESA A EQUIPE.
* INVESTIR NA DIVULGAÇÃO E PROPAGAÇÃO DO TRABALHO, VISANDO MAIOR APOIO A CAUSA.
* BUSCAR APOIO E INCENTIVO, NO SENTIDO DE ESTABELECER PARCERIAS, PARA JUNTOS, SOMAR IDÉIAS E TRABALHO E, UNIDOS, BUSCAR A EXCELÊNCIA NO RESGATE DOS DESVALIDOS.
APOIO AS CARÊNCIAS:
Tratando-se de moradores de rua, há muito em que se pensar ao falar sobre apoio as carências, pois olhando a questão bem de perto, identificasse três bases a precisarem de apoio: O INDIVÍDUO, A FAMÍLIA E A RESSOCIALIZAÇÃO.
O INDIVÍDUO:
O primeiro apoio a ser providenciado para o indivíduo é o psicológico. Com certeza não se consegue muita coisa a nível funcional, se o indivíduo, não receber atenção na área emocional; é a mais importante base a ser tratada, pois é a mais abalada e desestruturada, bem maior e mais profunda que a área material.
Ele precisa voltar a se ver como um ser humano e, principalmente como um cidadão; precisa voltar a ter interesse por si mesmo e digno de receber a recuperação. É muito importante a abordagem e o acompanhamento nesta área.
O segundo apoio esta na área da saúde física do indivíduo, que na maior parte dos casos encontra-se seriamente comprometida por uma infinidade de motivos: Anemia, desnutrição, contaminações de diversos tipos, etc. A debilidade física, colabora em muito para que o indivíduo não sinta força para tentar encontrar um caminho que o leve a uma mudança, na busca de uma vida melhor.
A FAMÍLIA:
Assim como no indivíduo, a maior área a receber apoio, também é psicológica. Não adianta pensar em tratar da carência psicológica do indivíduo e o conduzir a uma recuperação, sem que também se trabalhe e prepare a família, no sentido de levá-la a compreender e colaborar com esta recuperação. É fator fundamental que a família esteja realmente apta a lidar com o problema, sabendo exatamente de que maneira deve agir. Para isso é primordial este apoio.
Ao contrário do indivíduo, em que o último a ser pensado é o apoio material; pois este foi justamente o primeiro que ele "deliberadamente" abandonou e, é o que com menos ele se preocupa; a família, por muitas vezes precisa muito deste apoio, dependendo de sua classe social, que quando muito baixa, não se encontra em condições de colaborar, sem que a carência material receba a devida atenção.
A RESSOCIALIZAÇÃO:
já na ressocialização, o primeiro apoio a ser pensado é o material.
Nenhum centro de recuperação ou ressocialização, caminha sozinho, sem que receba o devido apoio material e, quando se fala em apoio é no sentido literal mesmo. Material em alimentos, material em higiene, material em roupas; não só em vestuários, mas em roupas de cama, mesa e banho, material em utilitários domésticos, material em primeiros socorros e remédios e, por material em verba, para manutenção com gás, luz, água, etc.

Em segundo vem o apoio na área da saúde, para exames laboratoriais, tratamentos de vícios, etc. Por último o apoio para reabilitação e ofício.




CALÇADAS:
1ª PARTE: CHEGAR AS CALÇADAS.
Para se chegar as calçadas, com o objetivo de entregar alimento para os seus moradores, é necessário antes de mais nada, estar pronta uma equipe de voluntários organizados e subdivididos em tarefas específicas; tais como:
EQUIPES DE CONTATOS; são equipes que se dividem em:
* Arrecadação dos donativos que chegarão até as calçadas: Alimentos, material de primeiros socorros, roupas, calçados e agasalhos.
* Contatar casas de recuperação: verificando se há vagas, aceitação de faixa etária e sexo, exigência para internação, tempo de permanência, tratamento aplicado, etc.
* Contatar possíveis "pais adotivos" ; pessoas dispostas a se comprometerem em manter uma verba regular e mensal, com o propósito de manter o trabalho funcionando mensalmente.
EQUIPES DE AÇÃO; são equipes que se dividem em:
* Providenciar o local para que se prepare os alimentos que chegarão as calçadas.
* Separar e organizar; roupas, calçados e agasalhos, por sexo e tamanho.
* Embalar a comida e organizar: isopor, copos, talheres, refresco e etc.
* Promover a locomoção: veículos, combustível, trajeto, etc.
* Providenciar verba para locomoção e acessórios tais como; copos, talheres, embalagens descartáveis, etc.
* Providenciar equipe de prestação de primeiros socorros.

2ª PARTE: NAS CALÇADAS ( ABORDAGEM )
A entrega dos alimentos, funciona como o primeiro passo para a abordagem, na verdade é apenas um artifício para o primeiro contato de pesquisa.
O QUE DEVE SER PESQUISADO:
* Detecção de traumas. O motivo que levou o indivíduo a se tornar um morador de calçadas.
* A quanto tempo ele esta na calçada.
* As condições dos efeitos atuais que este motivo causou.
* Como se encontra as condições físicas e emocionais do indivíduo.
* Se tem e, quais os vícios adquiridos.
* Qual o grau de instrução.
* Qual era a sua capacitação profissional anterior.
* Como se encontra sua situação documental.
* Quais os traumas, agressões ou sequelas adquiridos nas calçadas.
* Se tem família e onde esta se encontra.
* Se tem interesse em recuperação. ( qual o grau de interesse ).
Durante o tempo em que se permanece nas calçadas entregando alimentos e formatando a pesquisa, são prestados os atendimentos de primeiros socorros.

3ª PARTE: PÓS CALÇADAS.
O trabalho de pós calçadas, consiste na elaboração da recondução do indivíduo até a sociedade; para que isto chegue a acontecer é preciso alguns passos:
1º Passo: Estudo da pesquisa. Com a pesquisa feita nas calçadas, é preciso avaliar e separar o que o indivíduo necessita, caso a caso.
2º Passo: Encaminhamento funcional. Conduzir cada indivíduo até uma casa de recuperação, apropriada ao seu caso.
3º Passo: Contatar a família.
4º Passo: Contatar apoio de instrução e encaminhamento de ofício.
5° Passo: Atualizar documentação.
6º Passo: Contatar profissionais ou influentes para acompanhamento psicológico, médico e profissional.
7º Passo: Contatar possíveis reintegrações; familiares e profissionais.

4ª PARTE: RESSOCIALIZAÇÃO ( VOLTA AO CONVÍVIO SOCIAL)

Para reintegrar o indivíduo ao convívio social, é necessário manter uma equipe de contatos com parcerias, assistências e patrocinadores.